Um dia decidi fazer vida em outro lugar, outros lugares aliás. Sair de casa sempre foi um pouquinho difícil pra todo mundo que tem casa, acredito, mas a gente pode se mover!
Foi em Barcelona, onde tive a benção de encontrar uma família de pessoas legais que se alimentavam bem e que moravam a duas quadras da Praça Catalunya, conheci aquele lugar que sentia também como meu, sem possessividade... aliás, possessões não deviam existir nessa casa que te falo...meu? seu? dele? risadas!
Foi lá, com saudades de um amor e a tristeza da incerteza que meu coração ganhou causa, uma mais, que ia além dos sentimentos próprios, dor-de-cotovelo, falta de dinheiro... Vi que existem maneiras distintas de viver, dignas escolhas de outros cidadãos, irmãos...e que no fim, todo humano quer, ser querido, ter vida, se comunicar, ser entendido; somos iguais, vivemos diferente; uns tem mais porque nasceram assim, outros tem menos, alguns quase nada, nem opção, nem saída que se veja.
Não foi lá que reconheci as desigualdades, não é isso que quero dizer, lá, a percebi como opção de alguns que não apoiam quem não apoia o povo! Esses uns que não apoiam, deveriam ser os guardiões, pra isso, até recebem salário!
A palavra povo é boa, aplico aqui como pessoas comuns, a maioria das pessoas do mundo.
A vida tomando forma, encontrei trabalho, fiz amigos, aceitei a dor do amor com fé pra não ser mais dor ser esperança.
E fomos acampar na praça!
(tenho lembranças)
http://pedeeugenia.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html
Praça que virou cidade linda, não apenas de anarquistas... era pra todo mundo do bem!
http://pedeeugenia.blogspot.com.br/2011/06/mensagens-das-manifestacoes-em.html
Já tinha vivido causas menos densas, com menos pessoas, mas a energia de muita gente afeta, adrenalina no corpo desperta, abrir os olhos e sentir que pode ser, existe a esperança de mudança. O MUNDO PRECISA!
Hoje, dois anos depois de experiências emocionantes entre pessoas; jovens famílias, professores, conhecedores, veteranos, estudantes, ativistas e policia, tenho a sorte de estar viva e ver o fogo que acende, na terra dos tupiniquins, como se fala por aí, do povo deitado eternamente em berço esplêndido ao som do mar e a luz do sol profundo de todo o mundo e mais que isso!
E não são nada mais que escritos... sentimentos e momentos vividos, transmito pra me sentir viva, pra fazer da luta, poesia. Pra ser cúmplice do fato que nem todos estamos alienados ao fato de não poder ter uma vida digna de boa qualidade.
Agora eu sei que qualquer coisa pode acontecer!
(A violência, querendo ou não, faz parte da revolução!)
Tâmo na torcida galera do bem!













