Porque não explicamos a vida posso sentir isso
e escrever, e deixar pro ár, que seja pro ár...
que ninguém tenha que carregar nas costas,
que seja alivio, ainda que cause dor por todo o corpo,
a mesma dor, cada vez diferente que se sente.
E dizem, que o melhor é o que acontece, e eu creio.
Porque não temos escolha nos conformamos com o que há,
e dele, do presente, criamos estrutura pro que segue,
escolhendo ou não, o que segue e só... e tudo vale
quando se sente a vida, muito vivo o pé, o ouvido...
E ainda sobra tempo, criamos nosso tempo,
mesmo sendo ele o que não deveria ser, e que longe da gente passa.
E se em algum descuido a esperança desaparece, logo ela,
a última que vai embora avisa o final
diferente do feliz pra sempre
que em algum descuido pode ser não fim; inicio ou reinicio.
Tudo pode acontecer, é assim. Até sem esperança!
Antes do final um pra sempre já me parecia estranho, e ilógico,
e outras tantas outras coisas, que não entendo, que sou estátua,
que meu pensamento não serve, não acompanha, e eu aceito.
e me molesto, aterrorizo e nada muda, a não ser algumas reações nervosas
em minha cabeça, que espalha por todo corpo e eu sinto.
E o mundo era lindo, juro, a gente brincava na rua, roubava laranja,
viajava em bicicleta, em turma, pra catar caju em Itaquena, e a felicidade
reinava, extravazava, sobrava, pra todos os lados, e a nossa vida bastava.
Não temos mais isso por que devemos pagar a conta?
de luz, de água, da felicidade infantil?
Tudo sempre vai dar certo...era o que pensava, agora me conformo...
e vivo no meio da cidade sem felicidade, onde a criança fuma crack,
o velho dorme descalço no asfalto forrado de lixo, e vivo no meio disso.
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