pé de árvore dá flor, flor vira fruto, fruto tem semente, semente vira árvore!




domingo, 12 de agosto de 2012

cabeça, mão, caneta, papel


Por el gusto de escribir algo: después de muchos días de largo silencio escritural me ha asaltado en el baño, mientras me lavaba las manos, antes de irme a acostar, el deseo de estar, a la luz de la lámpara, escribiendo. DESEO DE ESCRIBIR, NO DE DECIR ALGO. Pero deseo, también, de escribir en tanto escritor: sin que ninguna razón, como no sea el deseo de estar a la luz de la lámpara, escribiendo, ...haya motivado mi acto. Mecerme en el equilibrio infrecuente y perecedero de la mano que va deslizándose de izquierda a derecha, oyendo los rasguidos de la pluma sobre la hoja del cuaderno, victorioso por haber comprendido por fin que el deseo de escribir es un estado independiente de toda razón y de todo saber, liberado de toda exigencia de estructura, de estilo o de calidad, y lleno del silencioso clamor de las palabras que no son de nadie, que nadie puede acumular ni guardar para sí- la voz del mundo y de cada uno que resuena a través de mí en la noche apacible-. Cada vez que este deseo me viene, trae consigo la validez del universo entero y la de esa partícula sin nombre del universo que soy yo mismo.
Juan José Saer, 11/2/1975, "Papeles de trabajo" (Borradores inéditos)

Pelo prazer de escrever algo: depois de muitos dias de longo silencio escritural me assaltou no banheiro, enquanto lavava as mãos, antes de ir dormir, o desejo de estar, sob a luz da lâmpada, escrevendo.

DESEJO DE ESCREVER, NÃO DE DIZER ALGO. Porém desejo, também , de escrever como escritor: sem que nenhuma razão, além do desejo de estar sob a luz da lâmpada, escrevendo, ...tenha motivado meu ato. Me balançar no equilíbrio infrequente e perecível da mão que vai deslizando da esquerda pra direita, ouvindo o risco da caneta sobre a folha do caderno, vitorioso por haver compreendido por fim que o desejo de escrever é um estado independente de toda razão e de todo saber, liberado de toda exigência de estrutura, de estilo ou de qualidade, e cheio do silencioso choro das palavras que não são de ninguém, que ninguém pode acumular nem guardar para si- a voz do mundo e de cada um que ressoa através de mim na noite suave-. Cada vez que este desejo me vem, traz com ele a validade do universo inteiro e a dessa partícula sem nome do universo que sou eu mesmo.
Juan José Saer

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